quinta-feira, 17 de março de 2011

“A barriga do Chacrinha é uma paisagem”




“A barriga do Chacrinha é uma paisagem”. Nelson Rodrigues um dia improvisou (não pode ser outra reação se não um improviso) esta frase. Digo isso e paro. Não vou falar do homem da buzina, sim de Vinicius Aranha. Paro novamente, penso e abro um parêntese para uma manchete: Aranha está de regime! Penso nisso e na mesma hora medito que essa notícia merece uma risada encharcada de sátira vadia.


Amigos, há uma frase que sigo ao pé da letra, como dizem os mais antigos: “Daqui um 200 anos os historiadores falarão sobre o nosso tempo”. Não tenho dúvidas que Vinicius Aranha será um dos citados pelos historiadores. E digo mais, o episodio da perda de sua barriga será grifado em todos os cadernos de história.



Sabem o que mais me alegra em Vinicius Aranha? Sua grande paixão pela folia. Ah, quando este veste uma fantasia (mesmo que seja de bailarina com bigode) senhores, senhoras, rapazes, mocinhas, todos, todos presentes esquecem sua dívidas. Seu apelido bem que poderia ser “Anedota”.



No último sábado de carnaval que passamos juntos e lhe disse algo que entrou para a minha história. Um verdadeiro pacto; “Vinícius, se um dia você estiver morando na Rússia, vou para lá passar o carnaval na sua companhia”. Uma promessa digna de um amigo canalha!



“A barriga do Chacrinha é uma paisagem”.Crônica Dezoito quilômetros de mulher nua
“Daqui um 200 anos os historiadores falaram sobre o nosso tempo”. Crônica Ainda no jornal do Brasil

quinta-feira, 10 de março de 2011

É fácil admirar, sem ressentimento, um gênio morto




Começo esse texto citando o que Nelson Rodrigues um dia escreveu: “É fácil admirar, sem ressentimento, um gênio morto”. Sim, para aqueles que já notaram, o personagem da semana é um gênio, mas não está morto. Não que ele tenha feito algo que colaborasse com a humanidade nos últimos anos...muito pelo contrário. Muitas vezes Antônio Veiga comete mais pecados que uma adúltera bíblica. Contudo, é um gênio.

Seu raciocínio é criativo. Entendam, amigos, sua criatividade surpreende até o mais nostálgico dos seres. Ah quem diga que o exagero faz parte do seu modo de pensar. Não dou a mínima bola para isso. Quem não exagera não goza a vida. Antônio, por exemplo, sabe como ninguém usar um ponto de exclamação. Quando diz “Canalha!”, diz ‘’Canalha!’’. Sabe que algumas palavras são para ofender e não para informar.

Sabe de uma coisa, sempre gostei muito desta frase: - “estou farto de ver sujeitos que são amados pelos seus defeitos”. Refletindo sobre meu personagem, mudo minha visão. Creio que o Antônio é admirado justamente pelos seus defeitos. Incontáveis e inconfundíveis defeitos, mas fundamentais para sua genialidade.
Um detalhe: Quem não o viu vestido de Carmem Miranda no carnaval não viveu o mês de março.

Encerro o texto afirmando, sem a mínima sombra de dúvida: Antônio Veiga é um maravilhoso canalha!




Estou farto de ver sujeitos que são amados pelos seus defeitos”. – Crônica JOÃO SEM MEDO

“É fácil admirar, sem ressentimento, um gênio morto”. – Crônica Dr. ALCE, REZE MENOS POR MIM

terça-feira, 1 de março de 2011

O brasileiro é um feriado


Começo este texto dizendo, ou melhor, relembrando que “O amigo é o grande acontecimento”. Vou mais além: O amigo é o grandíssimo acontecimento. Seja em um bom bate-papo sobre mulher/futebol/política/religião ou até mesmo durante alguma discórdia. Sim, é aí que os conhecidos se tornam amigos.

E por que digo isto? Vou mudar o estilo do “translúcidocanalha”. A cada texto devo escrever sobre algum fiel escudeiro. Disse “devo”, pois não sei se tenho muitos fiéis escudeiros.

Passei algumas semanas pensando no meu primeiro personagem (Na realidade foram cravados nove dias). Foi quando li a seguinte frase de Nelson Rodrigues: “O brasileiro é um feriado”. Na mesma hora troquei a palavra “brasileiro” por Corvo. Na lata, meu grande parceiro Corvo é um feriado.

Ressalto, antes que me passe batido, que Corvo é um dos amigos fundamentais para qualquer um. Não há quem não o admire. Amigos, desde que o conheci comecei a entender uma realidade. Uma verdade que há de me perseguir a vida inteira:- O sexo só faz canalhas.

Digo, com dor no coração, mas digo: Julgo o Corvo como um límpido, um translúcido canalha. Talvez por isso seja tão querido.





“O amigo é o grande acontecimento” - Crônica: Dr. ALCE, REZE MENOS POR MIM

“O brasileiro é um feriado”. Crônica: DE 30 A 35 NÃO AMEI, NEM ODIEI

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A pior forma de solidão é a companhia de um paulista



Anteontem, isto é, ontem, falei a expressão “Bom dia” 14 vezes. Minto. A décima quarta já era “Boa tarde”. A primeira pessoa a receber meus comprimentos foi Jô, moça que trabalha em minha residência. O segundo ser foi meu grande amigo Myke, que no momento lambia meu pedaço de pão com mortadela com os olhos.

Dito isso passo ao tópico seguinte. “A pior forma de solidão é a companhia de um paulista”. Sim, Nelson Rodrigues escreveu essa “acusação’’ na crônica: - AH, O VINIVIUS DE MORAES É UM SER NUMEROSO QUE SÓ ANDA EM BANDO. E o que mais dói e nos faz pensar é a tamanha realidade que essa frase tem. Falar 14 vezes “Bom dia” é pouco. E fico eu vangloriando-me.

Contudo, quero falar sobre Joãozinho “Toda Hora”. Esse sim será o grande personagem do meu texto. “Todos os autores têm seus personagens obsessivos, e confesso que o Palhares é uma das minhas fixações”* . Nelson, uma das minhas fixações chama-se Joãozinho “Toda Hora”.

Esse acorda de madrugada para bater papo com o travesseiro. Gente de primeira linha. Uma ressalva com o seu nome: O João já nasceu Joãozinho ‘’Toda Hora’’ e para todo o sempre será assim: Joãozinho “Toda Hora”. Tem assunto para tudo. Arrisco me a dizer que seu táxi é um Divã.

Arrisco-me, novamente, a recitar: ‘’Se um dia meu (ou de qualquer outra pessoa) fuzilamento depender do Joãozinho ‘Toda Hora’, sei que ele não dará jamais o berro de ‘Fogo!’’’

Vou me esticar ainda mais. Em toda a minha infância, a minha mais pura utopia era ser cumprimentado por um ser mais velho. Talvez por isso hoje me sinto realizado quando faço um simples sinal de jóia para algum(a) garoto(a) (ontem mesmo fiz duas vezes no trânsito).

Se você teve paciência de ler até esta penúltima linha, saiba que quem não diz “Bom dia” é um límpido, um translúcido canalha!


“Todos os autores têm seus personagens obsessivos, e confesso que o Palhares é uma das minhas fixações”* - Crônica: A NAMORADA DA PUC

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

E aqui começa o mistério que desafia todo o meu raciocínio e minha intuição


Sou, de longe, um dos seres que menos se emociona com política. A frase de N.R ‘’E aqui começa o mistério que desafia todo o meu raciocínio e minha intuição.’’, mencionada na crônica NA ESCOLA PÚBLICA, MINHA MERENDA FOI UMA SÓ. IMUTÁVEL: - BANANA, reflete o meu desafio na hora de escrever o que penso no momento.

Não era bem isso que queria ter escrito, mas ainda há tempo para correção. Não vou falar de política, vou falar de vitória. Vitória que o brasileiro não sente o gosto há tempos. Vitória das ruas. Hoje, dia onze de fevereiro de 2011, O Egito é mais Campeão do Mundo que o Brasil. A festa é digna de título mundial...

Ah, se o brasileiro fosse assim!!!

Se Nelson Rodrigues ainda estivesse conosco ele repensaria sobre a frase: ‘‘Hoje, ‘liberdade’ é um palavrão que, como tal, não devia entrar em casa de família’’. Hoje, Sr. Nelson, o Egito respira liberdade. E ela entra aonde ela bem entender, com a cabeça mais do que erguida, lambendo o teto como uma lagartixa. Pode ser uma liberdade enganosa? Sim, claro que pode. Mesmo assim respira. Pelo menos hoje.

‘’O ser humano é o único que se falsifica. Um tigre há de ser eternamente tigre. Um leão há de ser preservar, até morrer, o seu nobilíssimo rugido. E assim o sapo nasce sapo e como tal envelhece e fenece. Nunca vi um marreco que virasse outra coisa. Mas o ser humano pode, sim, desumanizar-se. Ele se falsifica e, ao mesmo tempo, falsifica o mundo’’.

‘’‘Socorro, Socorro’ Mas era um apelo sem ponto de exclamação.’ Hoje o ponto de exclamação surgiu. E surgiu bonito.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Nunca vi ninguém tão chorado



‘’Nunca vi ninguém tão chorado’’, palavras que N.R mencionou na crônica O GRANDE HOMEM É O MENOS AMADO DOS SERES. Pensando um pouco em cima disso, não tem como não refletir sobre o garoto Wiliam Moraes. Corrijo-me enquanto há tempo: William Morais. Pois bem, 19 anos e já está morto. É duro? É frio? Obvio que sim. Mas é nesse momento que vemos que “Se o jogo fosse só a bola, está certo. Mas há o ser humano por trás da bola, e digo mais: a bola é um reles, um ínfimo, um ridículo detalhe.”.

Aí recordamos de exaustivas e recentes lembranças do C.T de Itaquera na semana passada. Pode ser comparada a atitude dos ‘’torcedores’’ corintianos à do assassino deste garoto? Claro que sim. Ou claro que não? Claro que sim!

Não vou me esticar, pois não vem ao caso, muito menos a minha paciência. A oportunidade é mesmo apenas para apresentar este novo espaço para discutirmos um pouco sobre Nelson Rodrigues e, por que não, qualquer outro assunto com algum tempero rodriguiano.

Lembrem-se: Cada um de nós tem seu momento de pulha. Em qualquer instante podemos nos sentir um límpido, translúcido canalha.