terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A pior forma de solidão é a companhia de um paulista



Anteontem, isto é, ontem, falei a expressão “Bom dia” 14 vezes. Minto. A décima quarta já era “Boa tarde”. A primeira pessoa a receber meus comprimentos foi Jô, moça que trabalha em minha residência. O segundo ser foi meu grande amigo Myke, que no momento lambia meu pedaço de pão com mortadela com os olhos.

Dito isso passo ao tópico seguinte. “A pior forma de solidão é a companhia de um paulista”. Sim, Nelson Rodrigues escreveu essa “acusação’’ na crônica: - AH, O VINIVIUS DE MORAES É UM SER NUMEROSO QUE SÓ ANDA EM BANDO. E o que mais dói e nos faz pensar é a tamanha realidade que essa frase tem. Falar 14 vezes “Bom dia” é pouco. E fico eu vangloriando-me.

Contudo, quero falar sobre Joãozinho “Toda Hora”. Esse sim será o grande personagem do meu texto. “Todos os autores têm seus personagens obsessivos, e confesso que o Palhares é uma das minhas fixações”* . Nelson, uma das minhas fixações chama-se Joãozinho “Toda Hora”.

Esse acorda de madrugada para bater papo com o travesseiro. Gente de primeira linha. Uma ressalva com o seu nome: O João já nasceu Joãozinho ‘’Toda Hora’’ e para todo o sempre será assim: Joãozinho “Toda Hora”. Tem assunto para tudo. Arrisco me a dizer que seu táxi é um Divã.

Arrisco-me, novamente, a recitar: ‘’Se um dia meu (ou de qualquer outra pessoa) fuzilamento depender do Joãozinho ‘Toda Hora’, sei que ele não dará jamais o berro de ‘Fogo!’’’

Vou me esticar ainda mais. Em toda a minha infância, a minha mais pura utopia era ser cumprimentado por um ser mais velho. Talvez por isso hoje me sinto realizado quando faço um simples sinal de jóia para algum(a) garoto(a) (ontem mesmo fiz duas vezes no trânsito).

Se você teve paciência de ler até esta penúltima linha, saiba que quem não diz “Bom dia” é um límpido, um translúcido canalha!


“Todos os autores têm seus personagens obsessivos, e confesso que o Palhares é uma das minhas fixações”* - Crônica: A NAMORADA DA PUC

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

E aqui começa o mistério que desafia todo o meu raciocínio e minha intuição


Sou, de longe, um dos seres que menos se emociona com política. A frase de N.R ‘’E aqui começa o mistério que desafia todo o meu raciocínio e minha intuição.’’, mencionada na crônica NA ESCOLA PÚBLICA, MINHA MERENDA FOI UMA SÓ. IMUTÁVEL: - BANANA, reflete o meu desafio na hora de escrever o que penso no momento.

Não era bem isso que queria ter escrito, mas ainda há tempo para correção. Não vou falar de política, vou falar de vitória. Vitória que o brasileiro não sente o gosto há tempos. Vitória das ruas. Hoje, dia onze de fevereiro de 2011, O Egito é mais Campeão do Mundo que o Brasil. A festa é digna de título mundial...

Ah, se o brasileiro fosse assim!!!

Se Nelson Rodrigues ainda estivesse conosco ele repensaria sobre a frase: ‘‘Hoje, ‘liberdade’ é um palavrão que, como tal, não devia entrar em casa de família’’. Hoje, Sr. Nelson, o Egito respira liberdade. E ela entra aonde ela bem entender, com a cabeça mais do que erguida, lambendo o teto como uma lagartixa. Pode ser uma liberdade enganosa? Sim, claro que pode. Mesmo assim respira. Pelo menos hoje.

‘’O ser humano é o único que se falsifica. Um tigre há de ser eternamente tigre. Um leão há de ser preservar, até morrer, o seu nobilíssimo rugido. E assim o sapo nasce sapo e como tal envelhece e fenece. Nunca vi um marreco que virasse outra coisa. Mas o ser humano pode, sim, desumanizar-se. Ele se falsifica e, ao mesmo tempo, falsifica o mundo’’.

‘’‘Socorro, Socorro’ Mas era um apelo sem ponto de exclamação.’ Hoje o ponto de exclamação surgiu. E surgiu bonito.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Nunca vi ninguém tão chorado



‘’Nunca vi ninguém tão chorado’’, palavras que N.R mencionou na crônica O GRANDE HOMEM É O MENOS AMADO DOS SERES. Pensando um pouco em cima disso, não tem como não refletir sobre o garoto Wiliam Moraes. Corrijo-me enquanto há tempo: William Morais. Pois bem, 19 anos e já está morto. É duro? É frio? Obvio que sim. Mas é nesse momento que vemos que “Se o jogo fosse só a bola, está certo. Mas há o ser humano por trás da bola, e digo mais: a bola é um reles, um ínfimo, um ridículo detalhe.”.

Aí recordamos de exaustivas e recentes lembranças do C.T de Itaquera na semana passada. Pode ser comparada a atitude dos ‘’torcedores’’ corintianos à do assassino deste garoto? Claro que sim. Ou claro que não? Claro que sim!

Não vou me esticar, pois não vem ao caso, muito menos a minha paciência. A oportunidade é mesmo apenas para apresentar este novo espaço para discutirmos um pouco sobre Nelson Rodrigues e, por que não, qualquer outro assunto com algum tempero rodriguiano.

Lembrem-se: Cada um de nós tem seu momento de pulha. Em qualquer instante podemos nos sentir um límpido, translúcido canalha.