
Anteontem, isto é, ontem, falei a expressão “Bom dia” 14 vezes. Minto. A décima quarta já era “Boa tarde”. A primeira pessoa a receber meus comprimentos foi Jô, moça que trabalha em minha residência. O segundo ser foi meu grande amigo Myke, que no momento lambia meu pedaço de pão com mortadela com os olhos.
Dito isso passo ao tópico seguinte. “A pior forma de solidão é a companhia de um paulista”. Sim, Nelson Rodrigues escreveu essa “acusação’’ na crônica: - AH, O VINIVIUS DE MORAES É UM SER NUMEROSO QUE SÓ ANDA EM BANDO. E o que mais dói e nos faz pensar é a tamanha realidade que essa frase tem. Falar 14 vezes “Bom dia” é pouco. E fico eu vangloriando-me.
Contudo, quero falar sobre Joãozinho “Toda Hora”. Esse sim será o grande personagem do meu texto. “Todos os autores têm seus personagens obsessivos, e confesso que o Palhares é uma das minhas fixações”* . Nelson, uma das minhas fixações chama-se Joãozinho “Toda Hora”.
Esse acorda de madrugada para bater papo com o travesseiro. Gente de primeira linha. Uma ressalva com o seu nome: O João já nasceu Joãozinho ‘’Toda Hora’’ e para todo o sempre será assim: Joãozinho “Toda Hora”. Tem assunto para tudo. Arrisco me a dizer que seu táxi é um Divã.
Arrisco-me, novamente, a recitar: ‘’Se um dia meu (ou de qualquer outra pessoa) fuzilamento depender do Joãozinho ‘Toda Hora’, sei que ele não dará jamais o berro de ‘Fogo!’’’
Vou me esticar ainda mais. Em toda a minha infância, a minha mais pura utopia era ser cumprimentado por um ser mais velho. Talvez por isso hoje me sinto realizado quando faço um simples sinal de jóia para algum(a) garoto(a) (ontem mesmo fiz duas vezes no trânsito).
Se você teve paciência de ler até esta penúltima linha, saiba que quem não diz “Bom dia” é um límpido, um translúcido canalha!
“Todos os autores têm seus personagens obsessivos, e confesso que o Palhares é uma das minhas fixações”* - Crônica: A NAMORADA DA PUC
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